Título nacional é título nacional. O Flamengo levou, com méritos, a maior Copa do Brasil da história, e a torcida foi às ruas em todo o país celebrar a conquista. Nada mais justo. Mas, passada a festa, o que interessa aos fãs rubro-negros é a Copa Libertadores da América, uma espécie de obsessão dos torcedores.

O tri da Copa do Brasil garantiu à equipe da Gávea um lugar no torneio de clubes mais importante das Américas — e direto na fase de grupos (ao lado de Cruzeiro e Atlético-MG). A maior dúvida de quem torce pela equipe, no entanto, não é saber quais serão os adversários no ano que vem, e sim se esse time que está aí tem condições de ir muito longe na competição.

Magoados com as críticas, atletas e treinador do Flamengo deram uma série de entrevistas pós-Copa do Brasil martelando essa tecla, de que o time apanhou demais da imprensa e demonstrou sua capacidade em campo. O coro foi puxado especialmente pelo técnico Jayme de Almeida e pelo goleiro Felipe.

Não deixa de ser verdade. Mas pesa contra esse mesmo grupo a história de um passado recente. Em 2009, o também desacreditado time do Flamengo saiu do 14º lugar no Brasileirão para a conquista do hexa, na maior glória rubro-negra no século. O discurso era muito semelhante: o de revolta com as críticas e de resposta em campo. Tão inexperiente quanto Jayme de Almeida, o então treinador Andrade acabou mantido para a Libertadores de 2010. De um ano para o outro, as contratações minguaram. O clube investiu nos inoperantes Rodrigo Alvim e Michael e repatriou Vagner Love, mas só a empolgação do Artilheiro do Amor não foi suficiente para salvar o Fla da eliminação.

Limitado por limitado, o grupo de 2013 parece pior que o de 2009, que, ao menos, tinha o último lampejo de genialidade de Adriano Imperador — artilheiro do Brasileirão daquele ano — e de Petkovic, com suas mortais bolas paradas.

Posição por posição, o Correio analisa onde o Flamengo está bem servido para a Libertadores do ano que vem, e onde precisa urgentemente ir às compras, caso pretenda impedir novo vexame no torneio continental, como na última participação, quando Ronaldinho, Thiago Neves e os demais comandados de Joel Santana não passaram da primeira fase.

GOLEIRO

Felipe, goleiro do Fla

Titular — Felipe
Reservas — Paulo Victor e César

Vai com esse? — Parte da torcida, especialmente do Rio, tem birra com o “paulista” Felipe, que na verdade é baiano. Besteira: o arqueiro é um dos melhores goleiros do país na atualidade. O reserva Paulo Victor, esse sim, joga bem menos do que acredita o torcedor. De todo modo, o gol, hoje, não é lugar para gastar dinheiro.

LATERAL DIREITO

Titular — Léo Moura
Reserva — Digão

Vai com esse? — Vai. Mas vai só na Libertadores mesmo. Com a idade avançada, Leonardo Moura não aguenta mais o tranco de embalar no Carioca e no torneio sul-americano, como já fez em outras oportunidades. Já o reserva Digão é um problema. Por mais que seja esforçado, não tem qualquer condição de atuar com a camisa rubro-negra.

ZAGUEIRO CENTRAL

Titular — Wallace
Reserva — González

Vai com esse? — Começam aqui os problemas rubro-negros para a Libertadores. Wallace é nitidamente limitado e, mais grave que isso, incrivelmente lento para a idade dele. O título até disfarçou, mas, na final contra o Atlético-PR no Maracanã, o zagueiro perdeu todas na corrida. Não pode ser titular numa Libertadores.

QUARTO ZAGUEIRO

Titular — Chicão
Reserva — Samir

Vai com esse? — É o caso de se estudar, mas, aparentemente, o reserva é melhor que o titular da posição. Samir tem potencial para se firmar em qualquer equipe do país, enquanto Chicão anda em curva descendente. A experiência do ex-corintiano até conta, mas tudo depende de quem for o futuro companheiro na zaga.

LATERAL ESQUERDO

O lateral esquerdo André Santos
O lateral esquerdo André Santos

Titular — André Santos
Reserva — João Paulo

Vai com esse? — Outro drama para o torcedor que pretende passar da primeira fase na Libertadores. Nem titular nem reserva estão à altura da competição. Se há um lugar onde o Flamengo precisa de dois novos atletas para a posição, esse lugar é a lateral esquerda. André Santos não atua em alto nível há algum tempo, e João Paulo nunca o fez.

PRIMEIRO VOLANTE
Titular — Amaral
Reservas — Cáceres e Diego Silva

Vai com esse? — Amaral junta-se a Hernane numa posição privilegiada no Flamengo. Nenhum dos dois está nem perto de ser craque, mas não há chance de tirá-los do time. Qualquer eventual substituto, numa primeira má atuação, será massacrado pela torcida. De qualquer modo, é o caso de se pensar em reforço para a cabeça de área, nem que seja para fazer sombra ao Pit Bull.

SEGUNDO VOLANTE

Titular — Luiz Antônio
Reserva — Val

Vai com esse? — O esquema tático do Flamengo não tem um segundo volante. Na verdade, são dois (Luiz Antônio e Elias), que se revezam na marcação e no apoio. Há grande chance de o jovem jogador do Flamengo ser negociado, o que seria uma pena para a torcida. Ele ainda não é o craque que acha que é, mas tem potencial. Se o garoto sair, vira um drama para o Fla, porque o reserva Val não está em condições de atuar nem no Campeonato Carioca.

ARMADOR PELA DIREITA

Elias, líder do elenco

Titular — Elias
Reservas — Gabriel e Bruninho

Vai com esse? — Com o titular, certamente. Elias foi a melhor contratação do ano no Flamengo e caiu muito bem na equipe. Os reservas, por outro lado, deixam muito a desejar. Gabriel não se firmou e deve ter o mesmo destino de Vander, que também veio do Bahia e patinou. Bruninho entra no mesmo pacote do colega Val.

ARMADOR PELA ESQUERDA

Titular — Carlos Eduardo
Reserva — Adryan

Vai com esse? — Nem com um nem com outro. Se Elias foi a melhor contratação, Carlos Eduardo acabou sendo a pior. De longe. O meia, em nenhum momento, praticou um futebol próximo do aceitável, nem mesmo quando a torcida resolveu abraçá-lo, como na final de quarta-feira. O reserva Adryan ainda precisa de mais um ano para mostrar se vai ou se racha de vez. Eis uma posição em que uns trocados bem gastos cairiam muito bem.

CENTROAVANTE

O goleador Hernane

Titular — Hernane
Reservas — Marcelo Moreno e Nixon

Vai com esse? — A exemplo de Amaral, esse é mais um caso de intocável para o ano que vem. O problema é que, a despeito da artilharia, Hernane é muito limitado tecnicamente. Mas qualquer substituto, se perder um único gol, está fadado a sofrer com a torcida, que adotou o Brocador como xodó. Na reserva, Moreno vai embora, o que abre vaga para um atacante mais técnico. A torcida rubro-negra pode até não acreditar, mas ela vai precisar desse reserva.

SEGUNDO ATACANTE
Titular — Paulinho
Reserva — Rafinha

Vai com esse? — Pode até ir com esse, mas uma ou duas novas opções não fariam mal. Por algumas razões. A principal é que Paulinho corre uma barbaridade e não tem como manter esse pique em duas competições. A segunda é que há bons atletas no mercado para essa mesma vaga. E a terceira e mais importante: Paulinho, apesar das boas atuações, é uma incógnita.

Fonte: Super Esportes


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